Fumetsu no Anata e – Primeiras Impressões

Fumetsu no Anata e

Retornando as páginas da Weekly Shonen Magazine após quase dois anos do fim de seu trabalho anterior (Koe no Katachi), damos boas-vindas novamente à Yoshitoki Oiima e sua mais nova série, intitulada “Fumetsu no Anata e”, a qual promete explorarmos desta vez, um mundo de fantasia, através de uma existência imortal.
Fumetsu no Anata e começa forte. Seguindo um estilo parecido ao que tivemos no one-shot de Koe no Katachi, vemos Oiima nos inserindo e apresentando no cenário daquele mundo através do desenvolvimento das relações e dramas dos personagens, seguindo em uma crescente, tanto em questão de acontecimentos que movem a trama, quanto em aprofundamento no conflito do protagonista, que acabam culminando em um gancho impactante, a qual servirá de ponto de partida para a temática da história em si, que a autora quer explorar.

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Acompanhamos o desenvolvimento de uma “esfera” deixada naquela terra por um suposto “Deus” e, que tem como característica, tomar a forma de qualquer coisa existente, começando por uma pedra e chegando ao ponto de criar consciência ao se transformar em um lobo, que depois vemos acompanhar um jovem garoto que mora sozinho em meio a terras rodeadas de neve. Sem saber como eles se conheceram ou o que é de fato essa criatura, já somos apresentados a uma relação forte entre os dois personagens, e é a partir dela e das interações entres os dois que somos inseridos no contexto daquele mundo, passando a descobrir o que aconteceu naquele local e quem é esse garoto misterioso sem nome.

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Uma característica marcante do trabalho da Oiima e que ela executa com mastreia em Fumetsu no Anata e é a narrativa. Em termos técnicos, a autora é certamente uma das melhores de sua geração no quesito da exploração do potencial da mídia mangá. Usando de uma forma simples, que se apoia na utilização de quadros distribuídos de forma simétrica, ela conduz os acontecimentos, enquanto explora nos pequenos detalhes atribuídos através da passagem de ações entre eles, algumas nuances da personalidade dos personagens, nos fazendo criar empatia pelos mesmos na mesma proporção que vamos os conhecendo melhor, e vemos um crescimento crível e orgânico do relacionamento entre eles. É como se a simetria contribuísse de forma passional para nos apegarmos à aqueles personagens logo de cara, e com isso, sentir um peso ainda maior no acontecimento que encerra o capítulo.

Essa ferramenta de detalhar passo a passo as ações de uma maneira mais “lenta” também contribui para o desenvolvimento da história. Toda as ações do garoto com o lobo fazem parte de um fio condutor que, além de uma justificativa para trabalhar os personagens, nos conduz a pistas sobre o que é aquele mundo e o que aconteceu nele. Podemos traçar um paralelo de que, na relação entre os dois, somos o lobo, e que as ações do garoto é o que nos insere naquele contexto. Uma narrativa executada de forma brilhante e sem cair nos males da exposição desnecessária.

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Quanto a parte da história, o capítulo serviu para firmar as bases iniciais do que veremos a seguir. A tal criatura deixada na terra é o ponto central e sua imortalidade provavelmente será a chave temática do que a autora quer explorar. A participação do garoto teve um papel importante para nos elucidar quanto a algumas questões daquele mundo, principalmente em relação as outras pessoas e o que aconteceu com também, além de também servir como um papel de “mentor” ao criar ranços de humanidade na criatura que passará a ter que viver como um, enquanto eventualmente irá atrás do tal “paraíso” seguindo a vontade do garoto.

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Por fim, no saldo final tivemos uma ótima estreia de Fumetsu no Anata e. Vimos uma evolução da autora na parte técnica, com um aprimoramento em seus traços e um refinamento em sua forma de contar uma história. E quanto a história propriamente dita, tivemos um início com um grande potencial temático, já que tudo indica que iremos nos aprofundar em questões relativas a imortalidade e a existência humana. Indo por um caminho totalmente diferente ao de Koe no Katachi na parte de ambientação, mas mantendo o mesmo esmero caloroso na abordagem humana, Oiima Yoshitoki surpreende em sua volta a revista Shonen Magazine.

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Pode comemorar, Oiima.

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