Spirit Circle – A vida de Vann

Post Circle

Curta, porém interessante(e bota interessante nisso!).

Spirit Circle é uma obra que encontrou seu fim recentemente. Uma obra que se destaca principalmente por causa de sua narrativa um pouco incomum nesse meio de mangás. Por conta disto, achei que, ao invés de uma análise da obra em geral, seria mais apropriada uma análise para cada uma das vidas que achei interessante. Começando pela vida do Vann.

Vann é um nobre que viveu na Idade Média em uma terra de algum lugar da Europa, não especificado exatamente o local. Aspirante a cavaleiro, inicia sua primeira missão consistindo na clássica temática de “caça ás bruxas”. Sua alma antagônica agora vive uma dita curandeira e, aparentemente, bem feitora taxada de Bruxa.

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Isto encaixa-se, em contexto histórico, na época em que ocorreria a inquisição. Período o qual a Igreja Católica condenava todos aqueles que divergiam de seus dogmas. Em muitas vezes, mulheres acabavam sendo taxadas de bruxas pelos mais diversos motivos, e, no caso, por avanços no que dizem respeito á medicina., que contradizia a afirmação de “cura pela fé” difundida pela igreja.

A pobre mal compreendida teve seu fim pela espada de Vann. Esse, que por sua vez, seguiu os impulsos de ódio fornecidos por sua vida anterior, Fone. A senhora, antes de morrer, amaldiçoa o nobre cavaleiro com uma marca em seu rosto( e, aparentemente, na alma). Essa que veio intencionada de tornar sua vida uma desgraça. O que inicialmente acaba acontecendo pois o homem é deserdado e exilado por possuir ligação com o ocultismo, ou seja, culpa da marca.

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Então chegamos ao ponto onde acho que começa a representar, tematicamente, esta terceira vida.

Após contratar a proteção de um mercenário que originalmente foi contratado para mata-lo, sua vida começou a mudar. Vann passou a possuir uma casa própria, nada grandioso, mas que não deixou de ser uma conquista se comparar á situação em que se encontrava, e também passou a se sustentar. Ele também permitiu a estadia de um padre com ideais derivados do protestantismo(ou próximo, pelo menos sabemos que ele era contra a Igreja) e seu aprendiz. Basicamente, Vann fez amigos. A vida que até então estava fadada a desgraça começou a ganhar uma luz.

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O convívio destes homens conseguia nos transmitir um verdadeiro sentimento de amizade e todo o nível de afeição que uns tinham um pelos outros. Indo aos “poréns”, o padre e o mercenário morreram de maneiras bestas, realmente. Mas não há de negar que os momentos em que conviveram juntos a Vann sejam vistos como a fase de suas vidas  em que eles alcançaram a verdadeira felicidade. Isso fica evidente nos momentos em que nosso protagonista relembra-se da fase. Cielo, o aprendiz, saiu assim que seu mestre morreu para voltar de onde vieram. O jovem possuía um papel essencial meio á esses bêbados, servia de babá para que eles não fizessem tanta besteira.

Se parecia que a fase alegre estava para acabar, a realidade é que ainda estava longe disso. Na porta de casa, aparece um bebê abandonado. A pequenina, peculiarmente, é a reencarnação de sua amada em sua vida passada que, movida pela vontade de acompanhar sua alma a qual é tão afeiçoada, se pôs junto a ele novamente través de uma dádiva do destino.

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Por não se achar apto para servir de pai, decidiu procurar uma casa para ela na igreja e proximidades, porém sem sorte. Mas, em dado momento em que a olhou, percebeu o sentimento complexo que tinha por sua alma, seguindo o conselho de um padre, decidiu cria-la. Era evidente que um velho que vive constantemente bêbado não daria conta do recado.

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Como resultado, a garota cresceu a base de mentiras. Não era nada cruel, apenas contava histórias fantasiosas em que o próprio era o herói e se aventurava com seus falecidos amigos, além de afirmar que era seu pai biológico e que sua mãe morreu tempos atrás. Com ela já crescida, já estava evidente que a vida de Vann havia se voltado exclusivamente para o bem dela.

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O homem tem uma morte, eu diria, “broxante”, algo sem graça. Porém, acima de tudo, morreu feliz. Não achava que era merecedor tamanha felicidade em seu viver. Foi agraciado com valorosos amigos, uma amada filha, e dias dos quais nunca conseguiria se esquecer.

Como considerações finais:

Acho que esta encarnação da alma de Fortuna é, nada mais, nada menos, sobre amor e amizade. Além de coisas simples, como o fato de que sua vida pode melhorar, não importa o quão ruim ela pareça. E que, uma vida simples pode trazer muitas coisas boas.

Outro fato interessante foi o desinteresse do protagonista em saber as consequências que podem ter tido ao matar a bruxa. Ao que pareceu, ela estava tentando salvar um vilarejo, mas nós, leitores, não temos a menor ideia do que estava acontecendo ou o que aconteceu ao final. Nisto eu não vou entrar em detalhes, pois é trabalhado fora da vida.

Em suma, a sensação dada na leitura destes quatro capítulos é ótima! Com esse curtíssimo número de páginas o autor conseguiu nos passar toda uma vida com muitos detalhes.

Com essa, fico por aqui.

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