Uchuu Patrol Luluco – Pode Ser Um Novo FLCL?

Post de Luluco

Para qualquer um que acompanhe o trabalho do diretor de Gurren Lagann, Kill la Kill e etc., houveram certas expectativas em cima de Uchuu Patrol Luluco. Um anime curto, trabalho conjunto com o diretor de Inferno Cop e uma produção que comemora os 5 anos de existência do estúdio Trigger, que o Imaishi ajudou a fundar. Potencial não faltava.

O primeiro episódio dessa série já entregou o que se esperava dela, que era uma quantidade imensa de referências tanto aos trabalhos da Trigger quanto aos trabalhos do maior diretor do estúdio (sr. Hiroyuki Imaishi, sujeito em pauta nesses dois parágrafos) e uma comédia esdrúxula, com um ritmo competente, punchlines poderosas e uma taxa de nonsense bastante elevada.

Primeiramente, nessa estreia, as referências vieram desde a forma mais subjetiva às mais claras e diretas:

O character design remete muito ao estilo usado em Kill la Kill
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O ambiente externo lembra Inferno Cop
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A transformação bizarra da protagonista lembra bastante a anormalidade anatômica que o protagonista de FLCL ganha na testa
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A cena em que o uniforme da Patrulha Espacial aparece é uma referência direta à cena onde a Ryuko, de Kill la Kill, ativa o Senketsu pela primeira vez
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E, por fim, o episódio mostra o Inferno Cop de alta patente com os óculos do Kamina e as ombreiras da Satsuki (melhor personagem, btw, mesmo esse não sendo o mérito da postagem):
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O próprio humor envolvendo esse personagem remete muito à condução nonsense de Inferno Cop. Desde a piada de prisão e soltura até a forma como ele leva a Luluco ao plot principal de forma completamente imbecil.

Bem, isso, no fim das contas, era o “mínimo” que dava para esperar de um projeto do Imaishi. Mas o curioso é que, sendo um projeto de comemoração para o estúdio onde ele trabalha, essas referências remetem a produções próprias e não a obras da qual ele é fã.

E para quem se interessa mais profundamente pelo trabalho dele (e para quem ouviu o Tanaka Sentai 2), sabe que um tema quase que obrigatório em seus animes é a questão da maturidade que passar pela adolescência traz. E se tiveram tantas autorreferências em um único episódio, por que ele não teria colocado uma referência temática?

Na cena onde a Luluco se transforma pela primeira vez, algumas pessoas especularam que mais uma vez teríamos uma série sobre puberdade com metáforas esdrúxulas. A personagem estava se sentindo esquisita na escola, quando até então queria só ser uma garota normal e viver sua vida em um ambiente onde para ela tudo é tão -literalmente- alienígena.

O momento pode sim ser encarado como uma metáfora à chegada da primeira menstruação e à forma como uma criança enxerga o mundo antes até da pré-adolescência, onde tudo ainda é estranho, você ainda é o centro do mundo e entender que outra consciência além de você existe é um trabalho um tanto complicado.

Mas era, no momento em que um único episódio de Uchuu Patrol Luluco tinha lançado, muito cedo para afirmar se aquilo seria um tema que perduraria até o fim ou só uma referência direta à cena da Ryuko (no primeiro episódio de Kill la Kill), que tem uma temática praticamente idêntica (tirando a parte dos aliens e da idade da personagem que protagoniza a situação).

O que nos traz ao segundo episódio, que, digo sem medo de soar exagerado ou hiperbólico, é sensacional.

A primeira cena dele já surpreende, porque o primeiro episódio acaba de forma tão absurda que é natural esperar que o segundo vá ignorar a resolução daquela situação impossível e mostrar algum outro momento da vida da Luluco. Mas acontece justamente o contrário, porque o enredo não só tem uma continuidade, como ele segue do momento IMEDIATO onde o anime tinha parado na semana anterior: com a protagonista transformada em uma pistola laser corporal gigante, tendo explodido a sala de aula e atirado em um aluno. O que faz o espectador ter uma noção de que Uchuu Patrol Luluco pode sim ter um enredo que evolui e não é só composto de sketchs nonsense de comédia.

Logo em seguida, tudo fica ainda mais confuso e bagunçado quando um personagem é introduzido como vindo de dentro de um meteoro que caiu naquele lugar. E é aí onde Luluco surpreende de novo, ao introduzir o Alpha Ômega Nova.

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Que homem…

O tom de comédia esdrúxula nonsense e sem compromisso é assassinado pela chegada desse personagem e todo o problema impossível se resolve com a simples presença dele em cena. Um garoto com aparência e voz (um trabalho de dublagem incrível do novato Junya Enoki, por sinal) angelicais, mas que escondem uma personalidade perigosa e fatal. A trilha sonora que o acompanha faz sua presença dominar o ambiente, além de projetar sobre si um ar de mistério, permitindo que ele resolva tudo com calma e sobriedade.

Essa introdução ao Alpha Ômega Nova, desde sua chegada no meteoro até sua presença dominante, não encanta só o espectador, mas encanta também a própria Luluco. E aí já é interessante notar que esse é o primeiro personagem criança que não é um alien, na série. Ou seja, ele é a primeira pessoa que a protagonista reconhece como semelhante, como, de fato, uma pessoa.

E os diálogos entre esses dois personagens são não só bem feitos, como são bastante arquetípicos. O garoto fala sobre como entende o sentimento de deslocamento que a garota sente perante aquelas pessoas que os cercam, criando assim ainda mais intimidade entre eles. A garota fala que pode acompanhar o garoto e complementa, rápido e baixinho, que o faz como segunda prioridade e que só vai com ele para entregar o criminoso (aquele aluno em quem ela atirou no primeiro episódio), mostrando assim a necessidade dela de não parecer interessada e de se sentir importante naquela relação. São conversas que tanto se encaixam bem naquele contexto maluco quanto estreitam a relação dos dois e mostram o interesse da Luluco pelo Nova.

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Que homem…²

Mas as metáforas não param por aí (e eu juro que os episódios só têm 7 minutos). A transformação que o garoto mostra com seu traje de patrulheiro é muito mais “cool” e melhor controlada por ele do que a transformação maluca da nossa heroína, mostrando que ele tem muito mais controle e autoconhecimento sobre o próprio corpo e que usa aquilo como característica de dominância e poder. Essa transformação ainda é seguida de diálogos que mostram controle do Nova sobre a situação, reforçando a metáfora.

Ao serem apresentadas essas características do Nova que a Luluco se apaixona de vez por ele. O interessante da cena onde o amor atinge a garota é que ela começa cruel, mostrando uma suposta (muito suposta) morte, apresentando um aspecto frio e violento do menino angelical. Mas logo que a heroína olha para a mesma cena que nós espectador víamos de fora, ela vê no Alpha Ômega Nova o primeiro amor dela, se apaixona assim pelo “badboy” e dá seu “tiro da juventude” (que não coincidentemente sai da sua virilha). E mais uma vez a transformação acontece quando seu próprio corpo sai de controle e ela se sente estranha, representando outro sentimento pelo qual ela nunca havia passado e que ainda não entende.

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Mas mesmo com tudo isso dito, ainda é cedo demais para dizer que Uchuu Patrol Luluco é um novo FLCL, focando na metáfora à adolescência como tema central e regente. É certo que a série é uma amálgama de tudo o que o Imaishi fez desde Dead Leaves + Inferno Cop. Mas tudo ali é uma comédia tão esdrúxula que ainda não temos como saber se vai ser dada uma continuidade aos comentários feitos no fim do primeiro episódio e no segundo episódio todo. Quem sabe se um segundo meteoro não pode cair e mudar o tema? Se vai ser mais um anime sobre auto-descobrimento, mas abordando uma época ainda anterior à adolescência? Se cada episódio vai tratar de um tema diferente envolvendo um trabalho do Imaishi e/ou da Trigger, como uma amálgama temática? Só esperando e assistindo para descobrir.

A única coisa da qual eu tenho certeza é que se não aparecer uma rival amorosa à Luluco, ela já tem uma outra esperando: eu mesmo, aqui. NOVA HUSBANDO FOR LIFE!

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Que homem…³

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