Primeiras Impressões – Boku dake ga Inai Machi

Post Boku

Ano novo, animes novos. E por que não dar uma olhada nesse anime de nome gigante?

“Boku dake ga Inai Machi”, ou para facilitar, “ERASED“, era a série que eu tinha mais expectativas da temporada de inverno 2016. Mas isso porque foi um dos poucos animes que realmente me interessou, ou seja, mais por falta de escolha do que qualquer outra coisa. O PV, a staff e uma leve olhada na sinopse fez com que despertasse meu interesse de dar uma conferida. E olha, ainda bem que foi somente uma LEVE olhada na sinopse, porque se não o fosse, eu com certeza não seria tão surpreendido como fui.

A grande qualidade deste primeiro episódio está na condução do mistério e em como grande parte dos elementos apresentados se interligam à ele, criando uma unidade dramática sólida. Começando pelo interessantíssimo personagem Satoru Fujinuma: 29 anos, entregador de pizza, mangaká “falho”, introspectivo, desanimado com a vida e, sobretudo, alguém extremamente amargurado quanto à certas escolhas do passado, apesar de não expor muito essa ultima faceta. Todas essas características do nosso protagonista são apresentadas durante todo o episódio, mas especialmente em seu início, em que também há o fenômeno chamado “Revival”.

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Um recurso muito utilizado foi a narração por parte do protagonista, o que (compreensivelmente) afasta muitos, já que muitas vezes tal elemento não é lá muito bem utilizado em obras audiovisuais, especialmente nos animes. Aqui, eu diria que houve um trabalho satisfatório: muitas vezes os pensamentos de Satoru soaram naturais e espontâneos, principalmente quando interagia com sua colega de trabalho ou com sua mãe. Além disso, o trabalho de Shinnosuke Mitsushima na dublagem do personagem é excelente: passa bem a sensação de alguém cansado, desanimado e frio, dessa forma, os pensamentos e monólogos de Satoru se tornam bem mais convincentes. Porém, há sim momentos em que a narração é deslocada, como quando ele explica como ele se sente ou quando há uma pequena exposição sobre como o “Revival” acontece -o que já estava claro na cena anterior-, dessa forma, parecendo que o personagem está explicando diretamente ao espectador.

O protagonista é o personagem perfeito para retratar as temáticas trazidas por esse começo: a incapacidade de se abrir com os outros, e assim, de seguir em frente. Satoru, ainda amargurado com o que não pôde fazer para salvar Kayo Hinazuki e com o trauma ao ver que seu precioso amigo, Yuuki (ou Jun Shiratori), foi acusado e preso por supostamente ser o serial killer procurado, se fecha para o mundo e não consegue seguir em frente com o que realmente quer (no caso, ser mangaká). É como o editor diz, logo no começo do episódio: “se você não for mais a fundo, os leitores não vão conseguir ver você em seu trabalho”. É por isso que o “Revival” se torna tão interessante: é um fenômeno que possibilita desfazer certos erros, para que evite uma tragédia maior, mas é preciso se abrir para o mundo e interagir com os outros, se não o faz, entra-se num looping infinito, não seguindo em frente. Uma metáfora inteligente que traduz todos esses conflitos que envolvem Satoru Fujinuma.

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No episódio, a direção de arte utiliza muito da cor vermelha para designar certos elementos relacionados ao assassinato

Tudo se torna ainda mais interessante com a chegada da mãe de Satoru, Sachiko Fuijinuma. Não só pela personagem propriamente dita, alguém inteligente e que se impõe, ainda possuindo suas camadas, mas por também trazer para o presente todo o mistério que rondava o passado de Satoru. Toda a construção para o seu assassinato foi realizado de forma muito competente, tanto pelo roteiro, interligando os elementos apresentados a todo o mistério central, como também pela inteligente direção de Tomohiko Itou,  realizando foreshadowings com elementos visuais (especialmente com a cor vermelha) ou brincando com as expectativas do espectador através de um bom trabalho de enquadramento. Tornando, assim, toda a cena do assassinato bem impactante.

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Os dois frames acima são bem interessantes por brincarem com as expectativas, ambos tendo destaque na porta. No primeiro, gera tensão, já que Sachiko estava sendo observada pelo assassino, quando Satoru entra, gera uma sensação de segurança. No segundo, consequentemente, não sabemos o que esperar direito, já que na cena do primeiro frame, Satoru tinha gerado uma certa segurança. No fim, não há tanta certeza se entrará o assassino ou Satoru. Um bom trabalho de enquadramento.

O episódio não só impressiona o espectador com o assassinato da mãe, como também com o twist final, em que Satoru volta para 1988, quando tinha apenas 11 anos. Por isso que, no começo do texto, eu disse que foi bom eu ter dado somente uma leve olhada na sinopse, porque ela dá um spoiler fodido desse momento final do primeiro episódio. De qualquer maneira, é preciso destacar como esse momento foi representado visualmente, através de uma câmera subjetiva e um quadro fechado. Fez com que o espectador sentisse o mesmo que Satoru naquele momento (afinal, temos a mesmo visão do personagem): estranheza. E o quadro fechado funcionou perfeitamente, nesse sentido, porque de fato passa para o público uma sensação de deslocamento, em relação ao quadro anterior, totalmente aberto. Também é interessante como aos poucos vão aparecendo mais dicas, como o garoto correndo com uma mochila, a neve (elemento que estava muito associado a sua infância, como foi demonstrado em suas memórias), e, finalmente, o travelling que tem da escola até o pequeno Satoru, em um contra-plongée. Gerando, assim, um impacto ainda maior na entrega do twist. Um cena muito bem conduzida e criativa.

1 pessoa

Câmera subjetiva

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Contra-plongée

Bom, além desse puta cliffhanger, a série ainda deixa, sutilmente, diversos ganchos para atiçar a curiosidade do espectador para o próximo episódio e estabelecer ainda mais os mistérios centrais: por que Satoru tem essa personalidade? Para quem Sachiko ligou? O que ela queria falar com Satoru? Qual é a relação entre ela e o assassino? Quem era Jun Shiratori e Kayo Hinazuki? Quais são os sonhos de Satoru? Será que ele conseguirá realizá-los e desfazer os erros do passado, agora em que justamente voltou 18 anos no tempo? Afinal de contas, o que o mistério dos assassinatos têm a ver com os poderes, conflitos e com a personalidade do protagonista?

Pois é, são muitas questões, e todas elas ligadas ao mistério central estabelecido nesse episódio e às temáticas trazidas pelo “Revival”. Agora, só nos resta esperar que os outros episódios tenham um execução tão competente como esse primeiro.

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3 Respostas para “Primeiras Impressões – Boku dake ga Inai Machi

  1. Pensando bem tive sorte por não ter lido a sinopse , eu não peguei o spoiler , e excelente texto esse anime promete muito espero que cumpra o que esta propondo , e que o poder do protagonista não seja tão banalizado, por exemplo qualquer merda ele volta e conserta sempre, isso tiraria o perigo da situação.

    Curtido por 1 pessoa

    • Obrigado por ler o texto, Geovane!

      De fato, o maior problema foi a sinopse, HASUHSUAHSUAHSUA. Ainda bem que não peguei o spoiler que tem nela.

      E sim, espero que o poder não seja tão banalizado assim. Nesse episódio ficou tudo bem crível (o “Revival” é até algo ruim para o protagonista), seria horrível se quebrassem toda essa lógica. Mas pelo o que eu ouvi dos leitores do mangá, isso não acontece tanto. Tem um bom foco no mistério dos assassinatos em série. Bom, que assim seja xD

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  2. Pingback: Tanaka Sentai 10 – Boku Dake ga Inai Machi | Podflix·

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