Soul Eater – Analisando o básico

post soul eater
Devido à falta do que fazer, decidi reler coleções que aqui tenho completas. No caso, por motivos aleatórios, escolhi justamente esse mangá que eu caracterizaria como “bizarramente bizarro, porém, funcional”. Com isso, pude notar, agora estando mais atento, todas as suas peculiaridades, e tudo que a faz uma obra única.

A arte se assemelha mais á um desenho americano, do que á um japonês .

Sim, eu sei que isso chega a ser bem subjetivo, mas acaba sendo uma espécie de senso comum. E não digo que Soul Eater não tenha traços de mangá, muitos estão presentes frequentemente, também não diria que a arte tende para alguma cultura. O autor, ao progredir como desenhista, conseguiu criar um estilo próprio, misturando seja quais forem suas inspirações.

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Muitas vezes, certos acontecimentos ou atos tem seu impacto devido á intensidade do traço do autor no momento, em outras palavras, hora ele faz as cenas com seus personagens o mais satirizados e simples, hora com um alto teor de detalhes e características realistas em cima de seu elenco. Vale o destaque também na forma de como são representas as partes que envolvem a insanidade(da qual comentarei mais abaixo), usando e abusando de seus artífices como artista. Por fim, o traço evoluí de uma de uma maneira espetacular e gradual, mantendo um bom nível de qualidade em até o termino da publicação.

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Agora vamos para os itens mais complicados de falar; Enredo, personagens e ambientação.Escolhi não comentar sobre eles separadamente, pois acredito que caminham juntos e tudo somado é o que torna Soul Eater essa obra única em meio á esse mercado de quadrinhos japoneses.

Diferente das demais obras do mesmo ramo, ela não se passa no Japão, mas sim nos Estados Unidos, em uma cidade Fictícia chamada Death City.Em um mundo com umas crenças um tanto… confusas. O que quero dizer com isso? Bem, ao que tudo indica, esse mundo é semelhante ao nosso culturalmente.Mesmo mapa e culturas praticamente iguais, e , ao que tudo indica, a figura do Doutor Morte é reconhecida como o “deus” que ele é. Tanto que após o Kid assumir o posto do pai, saiu em todos os possíveis jornais ao redor do globo.

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Já que foi-se tocado nesse assunto, o próprio conceito da entidade Morte é interessante. Claro, o que estou escrevendo aqui se baseia em minha interpretação para com o que é o Morte pro mundo de Soul Eater. Ele é um dos grandes antigos, assim como o mago Eibon e a arma Excalibur. É o responsável por manter a ordem no mundo. Agora você pensa “ele é a personificação da morte, o que isso tem a ver com manter a ordem?”. Especificamente, não acho esta parte tão difícil de entender, mas… vamos lá. Peguemos o ciclo da vida como o melhor exemplo que eu pude pensar. Nele, a única certeza que TODOS os seres vivos têm, é de que vão morrer algum dia. É o destino compartilhado por todos os organismos daqui. Agora, como esse exemplo se relaciona? Para este evento “precisamente preciso” , transformaram em uma entidade que se responsabiliza pelo mesmo. E não para por aí , a ordem pode ser considerada um dos fatores primordiais da existência, é aquilo que define o mundo como ele é.

Considerado tudo isso, traça-se um paralelo com o Kishin. O grande antagonista da série. Ele é só mais um fragmento do morte que, para manter seu status de “deus”(ou simplesmente para não ter “sentimentos mundanos” que o atrapalhem a fazer seu trabalho), jogou todo o seu medo e sua insanidade nele. É claro que isso ia dar confusão, esse ser ficou louco e começou a propagar insanidade para se contrapor á ordem, até ser selado pelo próprio Morte. Passada a má experiência , foi decidido criar um novo aspirante á sucessor do Morte, e é neste ponto que temos o nascimento do Kid, mas desta vez, com todos os possíveis defeitos e “limitações” de um ser humano.

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“Talvez seja um sonho de fato.

Mas ideais não tem significado nenhum se não forem trazidos para a realidade.

É o nosso esforço que válida os nossos ideais contra o fracasso.

Se um adulto só é capaz de falar dos seus ideais sem tentar concretizá-los  por medo do fracasso…

então pode continuar dizendo para sempre que (death)o morte (the kid) é uma criança”

Death the Kid

Essas são frases muito interessantes ditas pela personagem, pois é basicamente o que o caracteriza. O que o diferencia de seu “pai” , e até mesmo do senhor da insanidade.O trabalho de manter a ordem de uma forma mais humanizada, sem um todo poderoso com decisão absoluta por de trás .

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E chegamos neste ponto, de falar de nosso time principal. Como já comecei com o Kid, porque não prosseguir? Sua fissuração com a simetria vem de seu dever para com a ordem. Inicialmente o personagem abomina tudo que considera assimétrico, ou seja, tudo que está “fora de ordem”. O que é , inclusive , irônico , pois o próprio não é simétrico, tampouco sua dupla de armas quando em forma humana, Liz e Paty. Duas irmãs, originalmente pobres, sem nenhuma semelhança uma com a outra. A própria aceitação delas já demonstra sua tolerância com irregularidades. E, após conversar com um dos antigos no livro de Eibon, concluiu que a Ordem e a Insanidade se complementam, é possível conviver com ambas. E a partir deste ponto até o termino, a perfeição deixa de ser necessária durante seu “reinado ” como o novo Morte.

Seguindo, temos as outras duas duplas. Black Star com Tsubaki e Maka com Soul.

Black Star é, em minha visão, o personagem mais fascinante do mangá. De incio, pensei sobre ele como um garoto mimado que não suporta perder. Este também passa por um certo grau de amadurecimento, só que continua sendo o mesmo garoto mimado que não quer perder, só que com uma diferença…. Ele conquista o que almeja. A mudança veio após sua primeira queda, na segunda batalha contra Mifune, foi uma derrota humilhante que o fez refletir, e até desafiar o kid para um duelo e perder (ele é o filho de deus, afinal). Ele foi forçado a aceitar essa “dura realidade” até certo ponto, onde ele começa a questiona-la. O garoto torna-se a prova viva de que o simples desejo pode levar alguém a conquista. No momento em que decidiu que viraria um Deus marcial, foi se aproximando cada vez mais disto até concretizar. Evoluindo constantemente em proporções absurdas e se equiparando com o próprio morte.

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“Uma pessoa normal já teria desistido, mas aquele idiota só sabe avançar”

Disse uma vez o professor Sid sobre o nosso querido ninja do clã estrela.

Já Tsubaki não é uma personagem tão interessante quanto seu artífice, é só mais um caso de “apoio”. Ela sempre esteve presente e a relação entre os dois é até um pouco interessante, mas nada que mereça algum destaque .

Pra completar o elenco principal, temos os pseudo-protagonistas. Maka e Soul, separadamente, não chama muita atenção, visto que seus “dramas” pessoais são muito pouco explorados, tendo apenas uns flashes aqui e ali. Mas a dinâmica entre eles é bem intrigante. Uma é a garota certinha, sem nenhum atrativo, nerd e nada popular e ele é um cara “Cool”, como o mesmo se caracteriza ( a pesar de eu não o ver ser tão popular como o próprio se diz). Não fica explicito se chegam a formar um casal ou não, mas a possibilidade há.

Claro, há muitos personagens relativamente relevantes para se comentar, mas se fosse ter um paragrafo para cada um isso aqui ficaria gigantesco. Então é uma boa entrar na história e nos defeitos agora, pois cada um destes personagens que faltam podem acabar rendendo um texto (acho que faço um sobre a relação mãe e filha de Crona e Medusa, mas isso fica para outra hora).

Qualitativamente, o mangá só cresce ao longo da publicação, até chegar em certo ponto onde se encontra a maior… decepção, se posso dizer assim. Sobre o desfecho, ou toda a ultima saga, como quem está lendo está matéria provavelmente já leu o mangá inteiro, pode ter pensado o mesmo que eu. “Foi uma preparação tão grande… para apenas isso?”.

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Este arco das Guerras Lunáticas teve partes interessantes, mas foi tudo muito corrido.Todo o conflito da Aaman com as Bruxas foi resolvido de uma maneira tão… simples. Entendo que todo o gesto de arrependimento do Kid foi com boas intenções, mas não se resolve um conflito de milhares de anos assim. Mas esse foi dos males, o melhor.

A expectativa que a série criou foi grande demais para o que foi mostrado. Crona teve um confronto final meio fraco, e uma derrota previsível demais. A batalha final contra o Kishin teve seus momentos, mas acabou um pouco sem graça.

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Para uma obra que vinha se mostrando tão “diferente”, teve um final tão “normal”.

Concluindo, pessoalmente, eu adoro Soul Eater, tive uma experiencia de leitura fantástica com edição lançada pela JBC aqui no brasil. Com certeza faltaram muitos aspectos para se falar aqui, mas prefiro trabalha-los separadamente, num futuro próximo, onde poderei me expressar mais detalhadamente. Então já prometo desde já que terão mais textos envolvendo a obra, pois existe muito conteúdo interessante para se discutir. Tentei ser o mais sucinto possível. E é isso… por hoje fico por aqui mesmo.

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2 Respostas para “Soul Eater – Analisando o básico

  1. “Para uma obra que vinha se mostrando tão ‘diferente’, teve um final tão ‘normal’.” Eu acho que essa sua frase resume o final de Soul Eater, que foi aumentando as expectativas para depois encerrar tão razoável, não que o final tenha sido ruim, mas não passou perto da expectativa que criou, então deixou um gosto meio amargo. Mesmo que autor não tenha pensando em mais coisas para continuar, Soul Eater ficou com cara de história interrompida, de obra que possui-a mais a ser mostrar, antes de encerrar. Não que eu seja a favor dos autores ficarem alongando eternamente as historias, porém acho que Soul Eater merecia mais tempo para conclusão, ou pelo menos de uma conclusão melhor.

    Ficou bom o seu texto. Soul Eater é uma obra para mim que mesmo não tenho um final a altura sempre será lembrando como uma grande obra. Afinal acho que possui qualidades suficientes para isso.

    Obs: É sou eu ou mais alguém se incomodou na luta contra Kishim dele ficar xingando de lixo, merda… Lembro que apareceu tanta fala dele assim em seguida que chegou a ficar cansativo para mim, ler as falas dele.

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    • Siiiiim!!!! Como isso me incomodou, muito desnecessário e cansativo essa repetição de humano lixo, humano imprestável, e o pior e que Maka e o Soul são praticamente imprestáveis no final mesmo, o que me faz questionar se eles são bons protagonistas, pois com um pouco de raciocínio critico percebemos que sem a dupla principal,a historia prosseguiria normalmente, pois o que movimenta o enredo são Chrona, Kid,Morte e Black ★ Star. Claro que os protagonistas tem seus momentos mas me pergunto se eles fazem falta a historia.

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