Haikyuu!! 188 – A Inesperada Virtude do Trabalho em Equipe (ou, PUTA QUE PARIU!)

Imagem principal

Tanta intensidade, tantas jogadas, tantas bolas salvas e cortadas. Tanto Ushijima. Tanta temática! O que falar desse capítulo que mal li -só umas 6 vezes- e já considero pacas?

Todo esse fechamento de partida começa de forma excepcional, em uma batalha de forças individuais. E é interessante porque imediatamente dá sequência ao esforço da Karasuno no fim do capítulo anterior, dando tudo de si e ainda assim sendo sobrepujada pela força chamada Ushijima.

Página cinza

A presença do “Japan” nesse começo de capítulo é aterradora. Não só nas não menos que magníficas páginas onde ele pressiona os corvos contra o chão, representando sua supremacia, como também na relação dele com os companheiros de time e até na forma como ele se movimenta e se posiciona.

A tensão se instaura rápido porque a construção do capítulo anterior foi bem trabalhada, esse pode ser o fim do jogo e, principalmente, porque o Ushijima está em chamas. Ele salva daquele jeito todo errado a bola, literalmente derruba o Hinata com uma cortada e depois ainda arruma um jeito de passar pelo bloqueio muito bem planejado do Tsukishima, que teve suas habilidades glorificadas durante o jogo inteiro. Acontece nessas páginas uma quebra dos valores individuais dos nossos heróis que foram bastante reforçados durante os cinco sets.

A aura

Nunca essa aura de determinação foi tão representativa.

Isso põe aquelas páginas escuras em um contexto muito propício, onde elas criam impacto e pressão reais! Até o Goshiki, que é construído como alguém orgulhoso, que quer superar o Ushijima, se põe de lado para ver aquele atleta atuando no seu pico. É uma construção fodida, que cria uma tensão incrível para o capítulo e trabalha para criar um dos melhores momentos do mangá, o ataque sincronizado com todo o time.

O ataque sincronizado somado ao ataque rápido é simplesmente uma ideia incrível, por vários motivos. A Karasuno, com essa jogada, aposta absolutamente tudo, não tendo ninguém para ficar de receptor caso o ataque dê errado. E essa consequência já havia sido trabalhada antes o que dá ainda mais valor a ela!

Esse é um ataque que aproveita tudo o que o time treinou, tudo o que cada um aprendeu durante essa partida sobre fingir ser o atacante acreditando que vai atacar e toda a preparação do capítulo anterior que cria uma formação sem o líbero e com os atacantes na frente. E ainda assim é uma jogada que não havia aparecido antes e que aparece de forma orgânica, sem o autor parar para apresentá-la como um golpe especial secreto que eles treinaram escondidos do leitor. É como se tivessem aparecido com aquilo na hora do desespero, com a simples mas poderosa ânsia pelo ataque.

E, principalmente, essa jogada se opõe filosoficamente à força individual do Ushijima e ao método do treinador da Shiratorizawa. Enquanto na Shiratorizawa o Goshiki fica parado para testemunhar a força do grande ás em seu pico, a Karasuno vai com tudo e com todos. É uma jogada que aproveita as forças individuais do time em um conjunto completo, formado por seis jogadores. Que eleva a Karasuno para um patamar diferente do que começou. Torna a história que partiu da motivação de um garoto que quer lutar no ar mesmo com seu pouco tamanho, uma história de um garoto de pouco tamanho e seu time lutando juntos no ar. E dentro da unidade do capítulo, isso ainda funciona como uma rima, porque a jogada do começo do capítulo é a mesma do final (um ataque rápido de trás da quadra), mas o que muda é que no fim os jogadores trabalham em conjunto, reforçando que esse é o estilo do time dos corvos.

O ataque

“Diante dos meus olhos, algo bloqueia o caminho. Uma parede muito, muito alta. Que tipos de cena se passam do outro lado? O que eu seria capaz de enxergar lá? ‘A visão do topo’. Algo que nunca poderei ter por conta própria. Mas se eu não estiver sozinho, então… talvez eu consiga vê-la.”

Não é incrível que um autor consiga empregar o tema que ele martela desde o começo do mangá de uma forma tão sutil e em um capítulo tão intenso, rápido e poderoso? E ainda traz todo o valor construído nessa partida inteira e nesse capítulo como unidade! Isso que torna Haikyuu!! algo de tanta qualidade. Até a relação dos jogadores com os corvos ganha significância com a conclusão desse capítulo, lembrando do comportamento da espécie, que trabalha em conjunto.

A única coisa da qual senti falta nesse capítulo foi a de um pay off mais imediato e impactante para combinar com o ritmo aqui empregado. Faltou a bola quicando com força no chão. E isso Haikyuu!! costuma fazer muito bem, mas acabaram sacrificando essa qualidade para colocar uma página inteira de pensamento antes de mostrar a bola no chão.

A referência

A página que dá essa quebra na entrega do payoff, por mais que gere um probleminha, ainda é muito boa porque a referência é muito boa. Poética e bem contextualizada.

E tudo isso, mesmo com esse pequeno deslize, ainda é conduzido em um capítulo bastante dinâmico, que quase não tem falas. É tão intenso que quando o Haruichi decide botar dois quadros com um pouco mais de falas do que o necessário, com o Tsukishima expondo seu “plano”, ele perde minimamente o ritmo. Não é nada de mais, mas quando se tem um ritmo tão poderoso, isso é o suficiente para quebrá-lo. O autor usa aquela divisão de quadros bruta, passando o esforço empregado nas ações dos jogadores através de mais do que só com as ações.

12-13

É um capítulo brilhante, onde os defeitinhos se tornam irrisórios e são pisoteados. Um fechamento que aproveita toda a construção da relação entre os times e entre os personagens, a rivalidade entre eles, a temática da série, a quadrinização intensa do Haruichi e a caracterização plástica dele, que representa tão bem o movimento em cena.

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