Hotel – Uma Pequena História Sobre Esperança

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Hotel até esse ponto de sua historiografia, já é denominado pelo conhecimento coletivo dos leitores de mangás mais e menos experientes: uma obra de arte. E eu também não sou da opinião contrária a essa corrente de pensamento. A Obra Prima de Boichi (Sun-Ken Rock e Present) lançada em 2006, é uma manga completo, inteligente e emocionante, contada de uma maneira simples em suas poucas 40 páginas. É uma leitura altamente recomendável, não apenas na visão de um manga e/ou quadrinho, mas como literatura em geral.

Se você ainda não leu Hotel, click aqui para ler em bom português.

Assim como algumas outras obras de ficção científica, Hotel faz parte da amálgama da visão de que no futuro, o meio ambiente estará em processo de colapso, ameaçando a existência humana da completa extinção. Já sabendo sobre os seus destinos, cientistas decidem construir uma torre (apelidada mais tarde de Hotel) onde todo o DNA do habitat atual fosse armazenado.

Acompanhamos a história de Louis, uma Inteligência artificial criada com o proposito de ser o gerente e proteger o Hotel e seus “hóspedes” acompanhados de seus pensamentos e ações durante a sua Jornada de sobrevivência que durou nada mais e nada menos do que 27 milhões de anos.

Este é o Louis. Carismático não?

 

Boichi faz um trabalho incrível conduzindo ao leitor uma empatia e simpatia quase imediata por Louis, transmitindo seus sentimentos, pensamentos e relatos de uma maneira quase humana. Fazendo com que Louis passe por momentos de aflito, o autor conduz a personagem a com o tempo transmitir sentimentos durante as falas, gradativamente mostrando as noções de preocupação e até mesmo medo, que são transmitidas apenas utilizando zoom e diferentes ângulos de seu “olhar”.
Ainda falando nela, a arte de Hotel é uma das mais competentes e bonitas que eu já vi. Gosto muito do design dos humanos, diferenciando um pouco do modelo básico convencional, mas o primor de tudo são os cenários, que são feitos de maneira tão crível que podemos sentir o perigo que o nosso carismático gerente esta a mercê.

 

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Agora, gostaria de comentar as minhas interpretações sobre a história e principalmente, qual é o significado de Hotel. Lembrando que as próximas linhas abaixo serão escritas com reflexões completamente pessoais, então se você tem uma opinião diferente da minha, eu ficaria muito grato que você a escrevesse também.

O Nome de Louis foi escolhido pela sua “mãe” (ou criadora) devido a música “What a Wonderful World” cantada por Louis Armstrong, no ano de 1967. Ano esse aonde estavam acontecendo Grandes Conflitos Raciais e Políticos nos Estados Unidos, que era o país ao qual Bob Thiele e George David Weiss (escritores da canção) estavam querendo alcançar com a música.

A Letra passivista expõem o mundo de uma visão mais otimista, dando principalmente um foco maior na questão da beleza natural do planeta, pedindo para as pessoas observarem mais o ambiente a sua volta. E no final dizendo para nós termos fé no futuro da sociedade.

Acompanhando a letra da música, Boichi compõem uma sequencia de páginas com imagens completamente opostas das condizentes nas estrofes, dando uma impressão de sarcasmo ao estilo Kubrick de 2001, satirizando o futuro que a humanidade arranjou para ela mesma, escrevendo até mesmo uma parte onde Louis ao meio de suas anotações diz a seguinte frase “A primeira regra da sobrevivência é a precaução”. Lição que infelizmente nós ainda não aprendemos.

As primeiras partes das três estrofes da música, que logo após são seguidas pelo refrão são:

 

“I see trees of green, red roses too

I see them bloom for me and you

And I think to myself, what a wonderful world

 

I see skies so blue and clouds of white

The bright blessed days, the dark sacred night

And I think to myself, what a wonderful world

 

The colors of the rainbow, so pretty in the sky

Are also on the faces of people going by

I see friends shaking hands, saying, “how do you do?”

They’re really saying, “I love you”

 

“Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também

Eu as vejo florescer para mim e você

E eu penso, que mundo maravilhoso

 

Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas

O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite

E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

 

As cores do arco-íris, tão bonitas no céu

Estão também nos rostos das pessoas

Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: “como você vai?”

Eles realmente dizem: “eu te amo!”

 

Porém é na ultima estrofe que a mensagem de Hotel se revela, aonde Armstrong diz uma simples frase sobre o futuro.

 

“I hear babies cry, I watch them grow

They’ll learn much more, than I’ll never know

And I think to myself, what a wonderful world

Yes, I think to myself, what a wonderful world”

 

“Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer

Eles vão aprender muito mais que eu jamais vou saber

E eu penso comigo, que mundo maravilhoso

Sim, eu penso comigo, que mundo maravilhoso”

 

Segundo os próprios cientistas, Louis foi construído para sofrer a consequência do erro da raça humana. Mas ao mesmo tempo, o hotel se torna a única maneira de sobrevivência. Louis traz uma pequena chama de esperança a humanidade, que para ele é resumida apenas pela imagem de seus país, fazendo com que o peso de seu fracasso seja grande.

Mas ao final de tudo, ele consegue. Cumpre seu objetivo com exito, alcança o propósito de sua vida. Fazendo com que no fim, o Hotel seja o precursor para que o Planeta Terra se torne além de tudo, Um Mundo Maravilhoso, assim como Armstrong profetizou a mais de 27 milhões de anos atrás.

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