O Passado Glorioso e o Futuro Sombrio

 LOGH Post

Texto referenciado nos episódios 36 até 40 de Legend of the Galactic Heroes.

“O mal só existe em séries de TV. Se formos falar do mal, a Aliança ajudou o antigo sistema do Império. Isso não acelera o fluxo da história, isso se acumula com o lado que tenta reverter o fluxo. Talvez a história não nos considere como bem, mas sim como o mal.

Pontos de vista assim sempre existem na história. Mas as pessoas não são fortes o suficiente para suportarem a visão de que são más. Por isso elas acreditam na sua própria justiça e lutam para forçar os outros a terem o ponto de vista dos “maus”.

-Não existe justiça absoluta?

Sim. Então, Julian, se você for para Phezzan, tente ver a diferença entre a nossa ideia de justiça e a deles. Isso provavelmente não diminuiria sua experiência. Comparado a isso, a queda e ascensão das nações não tem sentido. É a verdade.

-Até a ascensão e queda da Aliança dos Planetas Livres?

Sim. Espero que esta nação dure o suficiente para me beneficiar da aposentadoria. Mas olhando do ponto de vista histórico, a Aliança dos Planetas Livres nasceu como uma antítese dos ideias de Rudolf von Goldenbaum. República constitucional contra o totalitarismo, democracia flexível contra despotismo intolerante. Bem, defendemos isso as colocando em prática, e se coisas do Rudolf forem negadas e extintas pelo príncipe Lohengramm, não há motivo especial para a Aliança continuar. Ei, Julian, assim como as pessoas certamente morrem, as nações também não são indestrutíveis. A entidade chamada nação nada mais é do que uma ferramenta. Se você mantiver isso em mente, talvez possa manter seu ponto de vista.”

Dialogo entre Yang e Julian

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Esses cinco episódios expõe toda a disputa de poder entre Phezzan e a Reinhard no evento de sequestro do Imperador e trás a despedida de Julian com Yang e o resto de Iserlohn. É o momento em que o Julian abandona o ninho para conhecer o mundo externo por si mesmo e assim estabelecer suas próprias convicções. Reinhard seria realmente o mal em pessoa? A Democracia é realmente um sistema legitimo para guiar a sociedade humana?

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Justiça como termo de posição absoluta

Justiça é uma palavra bem comum e com um aspecto muito elegante para o senso comum da população. Quantas vezes já não falaram frases como “que a justiça seja feita!”,  “Isso é uma injustiça, eu tenho meus direitos e pago meus impostos”, “a minha luta é pela justiça”. Mas de fato, o que é justiça?

Segundo a Wikipédia, temos:

“Em um sentido mais amplo, pode ser considerado como um termo abstrato que designa o respeito pelo direito de terceiros, a aplicação ou reposição do seu direito por ser maior em virtude moral ou material. A justiça pode ser reconhecida por mecanismos automáticos ou intuitivos nas relações sociais, ou por mediação através dos tribunais, através do Poder Judiciário.”

Por essa definição, a ideia de justiça em si se mostra aberta, afinal, quem define quais são os direitos que algum ser deve ter? Dentro dessa ótica, escravos a 300 anos atrás não deveriam ter direito nenhum, enquanto nos dias atuais, é senso comum que qualquer pessoa, seja ela quem for, possui direitos, conhecidos como Direitos Humanos.

Se atentem que efetivamente a ideia em si de direito e de justiça é uma criação que não tem base concreta nenhuma, as pessoas apenas as aceitam pela legitimidade do que a maioria aceita. Trezentos anos atrás, o consenso geral acreditava que escravizar pessoas era ok. No fim temos ideias que molda a visão e o comportamento das sociedades em determinados períodos. E da mesma forma, as ideias únicas das pessoas formam uma conduta para cada um, conduta que é alto afirmada como justiça própria.

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Por isso, a Justiça em si é uma palavra que designa a opinião de um indivíduo ou de uma maioria sobre algum determinado assunto de grande relevância, e por causa dessa definição, a própria noção de certo e errado pode variar em países diferentes e em épocas diferentes, mostrando que no fim ser bom e justo são adjetivos vagos na conjuntura histórica.

O jogo de poderes

O planeta autônomo Phezzan, mais uma vez articula planos ambiciosos para forçar que Reinhard decida entrar em uma guerra total contra a Aliança dos Planetas Livres. Dessa vez o plano envolve a rapto do Imperador e sua fuga para o território da aliança, fazendo com que Reinhard tenha uma justificativa mais que suficiente para se lançar a um ataque.

E assim como foi a batalha de fortalezas, esse plano é algo extremamente delicado, já que se os políticos da Aliança se recusassem a receber o Imperador da dinastia Goldenbaum , o jovem Lohengramm se viraria para destruir Phezzan. Mas, diferente de Yang, os políticos da Aliança caem no plano devido a pressão financeira e aos seus agentes que atuam na Aliança.

Uma pergunta recorrente é porque o pessoal da Aliança em si consegue ser tão incompetente?

Infelizmente, o tópico dessa pergunta vai ficar reservado para outro texto, mas já adianto que sim, existe um porque bem simples e claro que o anime aborda para justificar porque a Aliança é tão incompetente perante o Império.

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Retornando ao tema central, o Imperador é sequestrado e uma nação exilada é formada na Aliança, trazendo uma promessa de invasão da larga escala pelo Império Galáctico e finalmente a derradeira batalha vai ter seu início. E por causa disso, Yang utiliza das desejos de Julian pelo serviço militar para tira-lo do front de batalha sob o pretexto de observar as ações do Império de Phezzan. A hora da verdade se aproxima cada vez mais.

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Os ciclos da humanidade

E após esses pequenos eventos, chegamos ao grande episódio 40. O episódio que explica toda a conjuntura histórica daquele mundo, desde a guerra entre Sirius e a Terra até a formação do Império Galáctico e a Aliança dos planetas livres. E toda essa aula histórica nos mostra uma incomoda constatação:

A humanidade em si vive grandes ciclos sociais e grandes ciclos filosóficos.

Após uma guerra de grande escala, a federação Galáctica é formada e a expansão pelas fronteiras da Galáxia começa. Para combater o grande número de piratas na fronteira, o governo da federação expandiu a frota militar e a manteve para manter os piratas espaciais sobre o controle. E após 200 anos de paz e estabilidade a estagnação sobre a sociedade chegou, o que levou a sociedade a perder seus valores éticos, valores morais e toda a vida social e cultural se tornou decadente.  Problemas se acumulavam e aqueles que queriam uma nova esperança depositaram seu voto de confiança em Rudolf von Goldenbaum, um herói aclamado que tinha grande influência política. E usando de seu poder, ele começou a implementar reformas drásticas, tendo muito apoio do povo, até o momento que ele se proclamou Imperador e assim deu origem ao Império Galáctico. Até que alguns séculos depois, Ahle Heinessen, liderou uma fuga de republicanos aos confins da galáxia, o que por usa vez daria origem a Aliança dos Planetas Livres.

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E como era de se esperar, alguns séculos depois, o Império entrou em guerra contra a Aliança, reproduzindo um evento similar ao que ocorreu antes, a grande guerra entre a Terra e Sirius. Nota-se o grande círculo vicioso, onde a sociedade trava uma grande batalha, vem uma era de paz, após um período de estagnação a parte moral da sociedade entra em declínio, o que trás o desejo por ordem imposta por Ditaduras e após uma ditadura se consolidar o convite à guerra ressurge novamente. E isso vem do simples fato de que diferente das ciências e da tecnologia, que avançam de forma linear sempre evoluindo, a moral e ética humana depende exclusivamente dos indivíduos daquela época, depende da índole das pessoas. Religião, status quo, ideias em geral, tudo isso muda com o passar do tempo e não necessariamente mudam pra melhor. E é sobre isso toda a crítica de Legend of the Galactic Heroes, mostrar que independente das crenças e do sistema, o que faz os eventos da história são as pessoas que vivem para enfrentar o destino e mudar o mundo.

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Se Yang Wenli tivesse apenas se tornado um historiador e Reinhard apenas tivesse ganhando um cargo baixo devido a influência da sua irmã, optando por viver em paz, os responsáveis pela construção da história seriam outros. Quem poderia imaginar como a situação atual poderia ser diferente?

E é incrível como um anime de 1980 consegue fazer críticas que se encaixam tão bem ao nosso período político e social, com o Governo totalmente perdido e desacreditado, com pessoas pedindo por uma ditadura e com a vida social e cultural decaindo mundialmente, chegando a apresentar coisas como essas:

Então, se em um futuro próximo uma Ditadura voltar ao Brasil, não vai ser uma coisa tão inesperada, LOGH já previu isso.

 

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