Primeiras Impressões – Classroom Crisis (ou, como mandar bem na estreia)

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Kenji Nagasaki ataca mais uma vez! Depois de fazer a delícia de Gundam Build Fighters, mostrando (como temática) que algo pode ser bom justamente por ser simples/bobo, o diretor vem aplicar essa mesma ideologia nessa estreia de escolinha, com naves, crianças piloto e todo tipo de clichê estúpido que você pode imaginar (tá, nem todo tipo, mas tem uns). A grande diferença do Nagasaki pra outros diretores é como ele te convence desses clichês.

O primeiro episódio já começa em um clima de tensão e urgência. E mais misterioso ainda é esse clima trocando espaço com uma cena de uma colegial fazendo atividades caseiras. A cena segue no clima de tensão e agora com mistério. Curioso que no meio dela aparece uma garota pilotando uma moto e passando por cima de uma… cancela de uma ponte? Com certeza não é um detalhe que você deixaria de estranhar. Só essa cena já é o suficiente pra dar o andamento do episódio. Quem são as duas colegiais? Quem é o refém? Quer dizer, é “o” refém, logo, não pode ser nenhuma das garotas. O mistério está no ar, tem o interesse do espectador e tem a urgência toda da questão. Alguns outros elementos são apresentados à esmo. “Escola especial”, “gastos”, “nave” e parece tudo muito confuso de começo. Onde eles estão? É uma escola? Nave? Mas, péra, o engenheiro é professor? Aí que a mágica acontece.

Classroom-Crisis-Episódio-01

A direção usa elementos simples como mostrar uma câmera aérea da escola afastada da cidade e mostrar que ela tem conexão com esse complexo onde os executivos discutiam no começo do episódio. O “mistério” é revelado em partes e você sabe qual a dívida e qual o problema do episódio e o esclarecimento de mistério dá espaço ao senso de urgência, que antes ainda era muito abstrato, agora tem tempo, distância e consequência. Aí chegamos em um ponto de convergência.

O curioso do mistério ser tão curto é que o episódio usa isso ao seu favor para apresentar os personagens sem precisar perder tempo com eles. Você já conhece o hacker, a tesoureira, o professor, a comunicativa e preocupada, a ideologia da empresa e como mais ou menos ela funciona. Tudo isso com diálogos curtos, ou elementos que aparecem rapidamente. Mesmo o tal do aluno refém não é apresentado até o último minuto, mas só com o diálogo dele com os sequestradores e com o porte do personagem, fica claro que ele é o “business man” (e um com muita lábia, diga-se de passagem). E na hora em que o mistério é revelado, todos os elementos à esmo se juntam… e isso tudo acontece em 20 minutos e o ritmo é justificado pelo senso de urgência do episódio. Mesmo a menina andando de moto por cima do muro da ponte tem uma função (pois é, você não lembrava dela, não é?) e mesmo a personalidade fria, objetiva e prática se mostra de alguma serventia. Até o conflito da falta de gerenciamento econômico daquele núcleo da empresa já está incluído.

O mais instigante desse episódio é a forma como ele fecha com uma dualidade sutil, talvez até despercebida por olhares desatentos. O business man é odiado por alguns nomes de dentro da empresa, mas é muito bom de lábia e gerenciamento de situações de risco, enquanto a classe protagonista é muito simpática e altruísta, mas não entende nada de negócios. Então o anime deve girar em torno dessa dinâmica. Uma busca pelo balanço entre um jogo de negócios e uma ideologia de união buscando o melhor das pessoas.

E anima ver o quanto a dinâmica do grupo principal e essa mesma dinâmica somada aos executivos tem um potencial a ser explorado. Classroom Crisis deixa bem claro desde o começo a inexperiência e o desleixo dos personagens com algumas questões, então quase por certo isso também entrará em foco. Mesmo o professor é um desses “ingênuos sonhadores” e admite que ainda é um garoto.

Viu? É tudo simples, tanto forma quanto conteúdo, mas é sutil da forma certa e consistente como deve ser. Bem, esse é só o primeiro episódio, é claro, mas foi um primeiro episódio e tanto.

Tem que ver como vai seguir esse balanço que parece ser o mote principal. O único medo é que essa dinâmica acabe partindo para uma estrutura de um slice-of-life sem foco, sem rumo e sem seriedade no momento certo (essa última parte foi o que tornou o clima de tensão do episódio 1 um sucesso), ou que a balança entre os dois lados seja fraca… enfim, ainda não é certo que vai ser bom MESMO, mas eu confio no Nagasaki. Principalmente depois de ver que todos os elementos desse episódio sendo fechados assim.

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AH! É verdade! Já ia esquecendo. A parte técnica está boa. Nada de muito destaque, mas a paleta de cores é chamativa na medida certa, a postura dos personagens dá a personalidade dos mesmos sem te agredir com muita obviedade e ainda ajuda a criar essa dualidade entre o aluno transferido e os alunos da escolinha. E o character design é como deve ser… os executivos, principalmente o dono da empresa e o irmão, convencem bastante da frieza com a qual deve-se tratar certas questões. Assim como o design das naves e de toda a parte tecnológica que está presente naquele mundo convencem.

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