Dentro da Noite Eterna – A Batalha de Astarte

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Texto referenciado nos episódios 01 até 05 de Legend of the Galactic Heroes.

O Inicio da Jornada

“Em uma pequena parte do espaço, a guerra continua e nela só há um vencedor. O espaço é um mundo selvagem deserto e as feridas que sangram somem com o tempo. Talvez o grande número de estrelas no céu lembrem-se destas feridas. Talvez esteja predestinado que até estas estrelas desaparecerão um dia.”

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Com essas palavras a jornada em direção aos confins da galáxia se inicia. De início somos apresentados a uma batalha entre duas nações galácticas e a uma enorme exposição de personagens, onde toda a situação é explicada por um narrador externo.

Temos uma música orquestral clássica tocando ao fundo, conduzindo os episódios de uma forma épica, como se tudo fosse um grande acontecimento, mas que destoa da parte visual do anime, que é bem parada, se resumindo apenas a diálogos entre pessoas e imagens de naves atirando, o que não fica muito interessante. Para os fãs do Imaishi (Diretor de Tengen Toppa Guren Lagann e Kill la Kill) acostumados a cenas de ação exageradas e absurdas, tudo regido a um ritmo frenético, uma trilha sonora empolgante e moderna, LOGH parece um tratamento de choque, uma antítese completa a esse estilo de anime.

Eu gosto de pensar na analogia de que LOGH é como o álcool. Para uma pessoa que nunca provou bebida alcoólica e está acostumada a refrigerantes e bebidas mais doces, a primeira vez sempre é uma sensação ruim. O gosto forte e azedo na boca afasta imediatamente, mas com o tempo a bebida começa a ficar palatável, até um ponto que a bebida alcoólica assume seu sabor único e insubstituível dentro do universo das bebidas. E quanto esse momento chega, esse anime vai representar uma sensação única a cada um de vocês que embarcaram nessa jornada comigo.

Antes de continuar, é importante notar que Legend of the Galactic Heroes é uma adaptação de uma light novel e devido a isso, esse episódio já começa no meio da história. Por isso, é necessária uma introdução ao mundo a aos personagens que vão compor a história. E a forma de fazer isso foi condensar uma quantidade absurda de informações em meio a um evento de clímax dentro da história, o que não deu muito certo. Já que o episódio apenas expõe que tal personagem é foda, que aquele outro personagem é foda e você apenas aceita que eles são fodas.

E dentro desse primeiro episódio, temos a morte do Comodoro Lapp, que é o melhor amigo do Yang Wenli, mas que é apresentada de uma forma tão anticlimática, que ela não traz emoção nenhuma e assim, é difícil notar a importância de tal evento para os rumos futuros do anime. Por isso, eu vou fazer uma pequena apresentação dos dois personagens chaves, Yang Wenli e Reinhard Von Musel.

**se alguém desejar ver a importância do Lapp e sua amizade com o Yang, recomendo que vejam o filme Legend of Galactic Heroes – Overture to a New War, que recontam os eventos dos episódios 1 e 2**

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Yang Wenli – Yang nasceu em 767 UC (Universal Calendar), em uma família de mercadores. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas 5 anos de idade. Viveu sua vida toda em viagens de comércio com seu pai, que morreu em um acidente na nave quando Yang tinha 16 anos. Seu pai morreu endividado e como nenhum familiar o acolheu, ele foi obrigado a entrar no exército, para que sobrevivesse ao mesmo tempo que tivesse a chance de realizar seu sonho, ser um historiador. Durante uma das suas primeiras missões, se tornou um herói ao evacuar a população inteira de El Fácil diante dos olhos do Império Galáctico. Devido a isso, o exército o fez de garoto propaganda em nome da política, o que o transformou em uma pessoa famosa dentro da Aliança. Aos 27 anos se tornou Comodoro do exército.

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Reinhard Von Musel – Reinhard nasceu em 776 UC, em uma família aristocrática pobre. Conheceu Siegfried Kircheis na sua infância e desde então são melhores amigos. Seu pai vendeu sua irmã para o Imperador quando ele ainda era pequeno, o que despertou sua fúria incontrolável contra a Alta Aristocracia. Devido a sua raiva, ele ingressou nas forças armadas bem jovem, com o objetivo de conseguir poder para libertar sua irmã, que era concubina do Imperador. Devido à influência da sua irmã para com o Imperador e suas grandes conquistas militares, ele chegou ao posto de Almirante (que é similar a General) aos 20 anos de idade. Com a vitória de Astarte, ele se tornou um Almirante de Frota, conseguindo grande influência e poder no exército do Império.

O Combate e o Militarismo

Antes de começar a falar das estratégias, é preciso situar um pouco as pessoas não acostumadas a combates de tropas e o militarismo.

O militarismo se define em acatar as ordens do superior sem questionamentos. E dentro do regimento militar, desacatar ordens de superiores resulta em um tribunal militar, que por consequência pode gerar a prisões ou até mesmo pena de morte, dependendo do caso. Nesse sentido, vemos Reinhard Von Lohengramm ameaçando seus subordinados a obedecerem à força, pois se algum deles desobedecer ordens, eles terão que enfrentar a corte militar mesmo que escapem vivos da situação. Do outro lado, Yang fica de mãos atadas pela incapacidade do seu comandante, já que ele se nega a dar prestígio ao Yang, ao mesmo tempo em que leva a tropa toda para uma situação de risco.

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Vale salientar que o Império Galáctico tem uma conduta militar muito mais dura e severa decorrente do Totalitarismo, então fica visível a diferença de comportamento entre o Império e a Aliança.

Já a batalha de tropas consiste em movimentar de forma ordenada um grande número de soldados para cumprir uma tática de batalha. Ou seja, por ser uma estrutura formada por uma infinidade de gente, sua movimentação é limitada e lenta. Para trazer um exemplo prático, imagine uma sala de aula com 40 pessoas. E de a ordem para cada aluno pegar sua carteira e levar até o final do corredor correndo, o mais rápido possível. Se cada um começar a correr por si, isso vai gerar uma desordem completa, com gente querendo passar por cima dos outros, o que vai ser muito mais lento do que se a ordem fosse executada por uma pessoa só.

Por isso, em movimentação de tropas, cada um tem que se mover acompanhando o outro, para a massa de 40 alunos se movam de forma uniforme, como uma unidade só. Isso evita o caos, que dentro de uma batalha pode ser mortal. Por isso, quando uma tropa é atacada pela retaguarda, é complicado fazer toda a tropa se virar, se organizar para responder o ataque. Nesse tempo todo, a primeira fileira da retaguarda já foi extinta e com isso a moral abaixa e o medo começa a surgir no coração dos soldados. Isso somado ao fato de enquanto a tropa se organiza, os inimigos já estão matando, mostra o quão desastroso é ser atacado pela retaguarda.

Tendo em mente que a posição, a moral e a formação de uma tropa, fica fácil ler as estratégias.


A estratégia

A aliança divide sua tropa em três grupos, com a 4° tropa tendo 12 mil naves, a 6° tropa tendo 13 mil naves e a 2° tropa tendo 15 mil naves. Esses grupos cercam a tropa inimiga, com o objetivo de aniquila-los atacando por vários lados.

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A vantagem de se atacar cercando o inimigo, é que toda a linha que cerca o núcleo da tropa entra em combate, fazendo com que os responsáveis pela reposição das naves destruídas (circulo em vermelho) fiquem incapacitados de manter o front de batalha, pois uma nave fica encarregada de substituir a nave à frente e a nave do lado, o que é impossível. Uma vez que o Front de batalha cai, a tropa é impossibilitada de revidar o ataque inimigo, o que gera um efeito cascata, fazendo a batalha se tornar perdida. Somando isso ao fato de que a tropa da aliança é o dobro da tropa do Império, a vitória era certa, se não fosse por um grande detalhe.

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Reinhard Von Lohengramm percebe falha na estratégia da Aliança e se aproveita dessa falha para travar as lutas em separado. Sabendo da dificuldade de se ordenar três tropas separadas a agirem em conjunto, ele aniquila uma a uma, fazendo um movimento simples de avançar e fazer um giro. Essa estratégia é basicamente a Blitzkrieg ou estratégia de ataque relampado, feita pela Alemanha durante a WWII, onde você se movimenta tão rápido que os inimigos são incapazes de prever a movimentação inimiga de combate.

Como Reinhard comandava uma tropa de 20 mil, ele tinha capacidade mais que o suficiente para acabar com as tropas em separado rapidamente. Mas, muito do seu sucesso aconteceu pela inaptidão dos comandantes da 4° e 6° frota. Já que, a 4° tropa deveria apenas ter recuado e segurado na defensiva, até que a 2° e a 6° frota tivessem tempo de reagir à movimentação rápida de Reinhard. Como o comandante da 4° frota revidou o ataque, isso fez com que tudo se colocasse a perder.

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A 6° frota, foi atacada pela retaguarda, por uma frota maior, o que resultou na sua aniquilação. E logo após isso, Reinhard, com cerca de 18 mil naves encontra a frota de Yang, que tinha 15 mil naves e uma batalha direta começa.

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Devido à alta moral que Reinhard tinha em sua frota, ele decide atacar o centro da formação inimiga em um combate curto. Yang prevê essa movimentação e consegue se colocar em uma situação de vantagem, na retaguarda do pivete loiro. Como a movimentação de uma frota é lenta, Reinhard não se pode dar o luxo de parar, virar e atacar, pois isso demandaria muito tempo. Assim, ele continua em linha reta, para tentar sair do alcance inimigo, enquanto Yang parte em perseguição. E a batalha se desenrola até os fronts de batalha se tornarem uma bagunça.

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Essa formação é uma desordem total, exatamente o que o Yang desejava. Pois, as tropas estão em combate de atrito, um tipo de batalha onde o resultado é 1 para 1, ou seja, uma nave é destruída para destruir outra nave. E se o meio da formação de cobra decide avançar para o meio da formação inimiga (setas verdes), a situação iria ficar mais catastrófica ainda.

Considerando que a Batalha de Astarte não é nada além de demonstração de força, que sua vitória não agrega valor útil à guerra em si, entrar em uma batalha de atrito é desperdício. Assim os dois comandantes recuam. O saldo da batalha final atribui uma vitória esmagadora ao Império Galáctico, que teve um rendimento de 10 naves destruídas para cada nave perdida, um massacre.


Os resultados

A Batalha de Astarte aconteceu por motivações políticas do Império e da Aliança. Os nobres do império armaram para o Reinhard, tirando seus comandantes da sua tropa, ao mesmo tempo  que vazaram para a Aliança secretamente a posição e força da tropa de Reinhard. Isso acontece porque Reinhard é um nobre de classe baixa, muito jovem, que teve sua ascensão rápida no exército devido a sua irmã ser uma das mulheres do Imperador e porque ele apresentou muitas conquistas militares, chegando à posição de Almirante aos 19 anos de idade.

O Governo da Aliança, por sua vez, precisava de algum resultado no front de guerra, para ajudar a promover os candidatos do governo à reeleição e por isso, se aproveitaram da informação vazada por Phezzan para obter uma vitória esmagadora. E o comandante Paeta foi escolhido como comandante para se redimir da derrota no 4° encontro de Tiamat, ou seja, sua indicação para comandar a batalha foi motivada por favores políticos do comando do exército, não por capacidade de comando de fato. É o tipo mais velho de corrupção que gera resultados ruins a custa de vidas e recursos.

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Reinhard e a Vitória de Astarte

A missão de Reinhard foi planejada por nobres que queriam ver o Reinhard fracassando em batalha. E como ele fez o inimaginável, ele foi promovido a Almirante Imperial, tendo grande poder e influência à disposição e se tornando uma ameaça maior ainda aos nobres.

Um Flashback sobre a infância de Reinhard deixa explicito sua motivação inicial para estar ali. Sua irmã se tornar parte do harém do Imperador o motivou a ser poderoso e no meio desse caminho, nobres invejosos farão de tudo para fazê-lo cair.

E em meio a isso tudo, vemos a construção da amizade entre ele e o Kircheis, o ruivo que por sua vez se apaixonou a primeira vista pela irmã do pivete loiro. E eu não poderia deixar de dar destaque a cena de luta do Reinhard, que reflete perfeitamente sua personalidade, gentil com os que ele gosta e mortal contra seus inimigos. Primeiro ele mete um chute no meio das pernas do garoto (primeira tentativa de assassinato), depois ele arruma uma pedra e mete na cabeça do valentão, ao ponto em que ele se suja de sangue (segunda tentativa de assassinato). Cara é muita violência para uma simples briga de colégio, eu sempre fico de cara com essa cena.

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A rebelião de Kastrop

Um planeta nos confins do Império se rebelou após o Nobre dono do Planeta ter sido condenado a pagar multas pela corrupção orquestrada por seu pai. Uma frota de 3 mil naves é surpreendida por um sistema de defesa conhecido como Colar de Artemis e assim é derrotada após o almirante em comando falecer em batalha.

Kircheis é enviado para suprimir a rebelião com uma quantidade menor de naves, ao mesmo tempo em que precisa convencer seus oficiais de sua capacidade. Com um plano simples, ele libera um gás explosivo, de forma que ele seja sugado pela gravidade, sem que os revoltosos se deem conta. Assim, o colar ao disparar se destrói.

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E aqui vem o ponto chave do episódio. Kircheis promete misericórdia a todos em troca da rendição, de forma que um conflito interno acaba matando o líder da revolta. Esse tipo de ação é totalmente incomum, qualquer outro comandante, inclusive o Reinhard teria ocupado o palácio do Nobre a força, punindo todos os participantes e inclusive seus familiares. A generosidade do ruivo é algo raro e por isso Reinhard o chama de “homem bom” no fim, pois ele sabe que teria feito diferente na situação do Kircheis.

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Yang e a Derrota de Astarte

Yang volta como o comandante de uma tropa derrotada, o que é uma sensação péssima. E além de tudo, ele precisa encarar a Jéssica, noiva do seu melhor amigo Jean Robert Lapp e sua melhor amiga. Para quem não sabe Jéssica tinha uma queda amorosa tanto por Yang quando para com o Lapp, enquanto o Yang a enxergava como um amor platônico. E a cena deles no cemitério é uma culpa enorme para o Herói de El Fácil, já que ele foi incapaz de salvar seu amigo e evitar as lágrimas da Jéssica.

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Enquanto isso, Job Truniht, segue o cronograma de utilizar a batalha de Astarte como alavanca em seu discurso político, mascarando o desastre que a batalha foi, através da imagem do Herói de El Fácil ou agora Herói de Astarte. Como o Yang não é burro, ele se nega a ajudar nessa mentira descarada e falta o memorial dos mortos. E ai a Jéssica decide aparecer para confrontar o Truniht, o que acaba direcionando os Cavaleiros Patrióticos (um grupo subversivo) a terem ela como alvo, o que obriga o Yang a agir e negociar com o Truniht.

O que é importante notar nessa situação, é que a Jéssica se tornou alvo não só pelo que ela fala no memorial, mas sim por ser amiga do Yang, o mesmo que se negou a ajudar o Truniht em seu discurso no memorial. E devido a isso, a Jéssica se torna refém, para que o Yang seja obrigado a agir dentro da conduta que o secretário da Defesa deseja, ou caso contrário, os cavaleiros patrióticos vão dar as caras novamente.

E como ultimato, a missão designada ao Yang é algo impossível, conquistar uma Fortaleza Inexpugnável com a metade de uma frota derrotada. E caso ele se negue, Jéssica sofrerá as consequências, junto com Attemborough, que estaria na 13° frota, a frota que faria a missão suicida com ou sem o Yang. Ou seja, o Yang foi coagido a participar de um plano que visa a sua morte em batalha, pois sua posição de herói é uma posição ameaçadora contra os políticos da Aliança.

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Morrer ou ver seus amigos morrerem, o que vocês escolheriam no lugar do Yang?

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